sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ciclo de Palestras: Como acompanhar melhor os estudos do meu filho - Parte 1: COMO A ESCOLA COLABORA NESSE ACOMPANHAMENTO

Ciclo de Palestras: Como acompanhar melhor os estudos do meu filho - parte 2 (DICAS PRÁTICAS PARA OS PAIS CONTRIBUIREM EM CASA)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lançamento do livro Escola com Corpo e Alma, no Shopping Village Mall (Barra da Tijuca), na Livraria Saraiva, 10/11/2014


         

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

PALESTRA NO COLÉGIO SANTA MONICA (São Gonçalo): EDUCAR COM LIMITES, MAS SEM TRAUMAS

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Palestra para os Funcionários do Colégio Santa Monica: O VALOR DO SERVIÇO NUMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Colégio Santa Monica (Cachambi): COMO MELHORAR MINHA COMUNICAÇÃO COM O MEU FILHO

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

8º ENCONTRO DE GESTORES DE RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO

17 DE SETEMBRO DE 2014

PALESTRA PARA MAIS DE 200 GESTORES DE RECURSOS HUMANOS DAS SUBSECRETARIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PALESTRA NO COLÉGIO SANTA MÔNICA (BONSUCESSO): EDUCAR NO ENCANTO - A BOA E A MÁ ESTIMULAÇÃO NA APRENDIZAGEM

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Palestra no Colégio Santa Monica (Unidade Taquara). TEMA: COMO HARMONIZAR CARINHO, PROTEÇÃO E EXIGÊNCIA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Educar para a generosidade

Artigo do meu próximo livro Escola com Corpo e Alma, um Manual de Ética para Pais, professores e alunos, para próxima publicação. Aguardem!



O famoso poeta espanhol Antonio Machado diz em um dos seus versos que “um coração solitário não é um coração”. Efetivamente, um coração vazio de amor, sempre deixa o homem estranho. Às vezes pode ser difícil descobrir a causa desse vazio, mas quase sempre o diagnóstico aponta para uma falha educativa familiar e escolar nos seus primeiros anos de vida. Seja por ignorância, seja por egoísmo disfarçado, muitos pais/professores hoje acreditam que demonstrar amor aos filhos/alunos é enchê-los de bens materiais, protegê-los de forma exagerada ou, ainda, satisfazer-lhes seus desejos de forma desmedida, temendo contristá-los com alguma renúncia. Educam-os abafando-lhes as tendências de qualquer coração sadio que nasceu para amar e aprender a amar. Como é importante educar no verdadeiro amor. Como é fácil se enganar no sentimentalismo. Equilibrar carinho, proteção e exigência é uma das principais preocupações do bom educador. Quando se desequilibram estas variáveis, o modelo educativo adotado sempre traz consequências nocivas às crianças. Umas ficam ansiosas e inseguras. Outras temerosas e desconfiadas. Muitas com baixa autoestima e carentes de atenção. A maioria, exigentes, queixosas, materialistas e impacientes com as dificuldades da vida. Por que ficam assim? Porque foram educados pelos pais a serem pequenos “deuses”. Os pais idolatram o amor humano, transformando o filho num pequeno deus exigente e déspota. Com o tempo, instrumentalizam esse deusinho na extensão do próprio “ego”, a quem também adoram. As vitórias dos filhos, na família e na escola, também são vitórias suas. As derrotas também, deixando-os algumas vezes tensos quando os fracassos ou doenças aparecem. É uma pedagogia às avessas. Ao invés de educarem os filhos para saírem de si mesmos e descobrirem os outros, a quem deverão dedicar seus talentos e sua vida, educam-os fortalecendo mais ainda a força centrípeta do egoísmo, fechando-os em si mesmos. Depois, quando chegam à maturidade, custa-lhes muito entender a linguagem do amor e acabam se tornando pouco humanos e desfigurados.
               Este processo educativo falacioso é o responsável, em parte, pelo atraso psicológico das crianças no mundo de hoje. Acabam demorando mais tempo a amadurecer, a descobrir sua identidade e o seu papel social. Consequentemente, domina-lhes a indiferença, a frieza, a tibieza, a moleza, a passividade. Estes costumam ser os sintomas mais evidentes dessa "vida-bolha” em que vivem. Mais tarde, na adolescência, nasce uma atitude de independência, na qual a confundem com a maturidade. Na prática, escondem-se numas aparências formais de gente adulta, mas internamente reina ainda um coração infantil, inseguro e egoísta, muitas vezes motivado somente por um insaciável desejo de prazer material e de visibilidade (vaidade).
               Urge, portanto, fomentar novas políticas educacionais que favoreçam um melhor desenvolvimento da pessoa humana. Quando esta é bem educada, nasce uma personalidade bem formada e equilibrada, da qual distingue com clareza a boa da má independência. Saberá que a boa procederá da liberdade interior, das convicções e do viver de modo desprendido e não da frieza do adolescente. Ela conseguirá atuar com certo desapego das opiniões alheias e a fará ser ao mesmo tempo independente e dependente dos demais, com uma grande capacidade afetiva. Vai conseguindo uma unidade de vida, não importando onde esteja ou com quem esteja. Integra progressivamente na vida os “motores” que se encontram na base de uma personalidade sólida e bem formada. Como diz Alejando Llano, “a poesia do coração vai penetrando na prosa da inteligência”. O homem virtuoso consegue, pois, entrelaçar todos os seus recursos – inteligência, vontade e afetividade – e os coloca ao serviço do amor. A sua inteligência inspira-lhe boas intenções e a sua vontade, sustida pelo coração, põe-nas em prática com alegria e prontidão.
               A grande questão que todo o leitor deverá estar se fazendo é como desenhar na prática essas políticas educacionais. O objetivo deste artigo é justamente este. Ele pretende demonstrar que será possível vislumbrar jovens com essa personalidade rica, como descrevemos anteriormente, se o processo de educação nas virtudes éticas não parar no início da adolescência, mas perseverar até à maturidade. Depois de termos aprofundado, em artigos anteriores, na ética das virtudes da afetividade – na temperança, com seus quatro campos principais, e na fortaleza, com seus quatro campos integrantes –, que devem ser incentivadas nos primeiros anos de vida até ao final do primário (fundamental I), pretendemos ilustrar agora como dar continuidade nessa formação e quais são as virtudes que se devem fomentar a partir dos 11 anos. Para entendermos melhor esse processo, recordemo-lo de forma resumida.
               Quando um jovem consegue ir desmascarando a mentira da mera alegria hedonista, que a sociedade materialista lhe impõe, ele conquista uma força para se desprender dos atrativos dos bens materiais. Começa a saborear a verdadeira liberdade interior que lhe proporciona uma vida temperante. Aliada a essa leveza de espírito, se também for formado nos hábitos da virtude da fortaleza e na busca do bem árduo, sua impulsividade para o bem começa a descobrir com mais lucidez que o verdadeiro bem que o deixa realmente feliz é se sacrificar generosamente pelos demais. Começará a brotar de forma conatural e livre ímpetos de uma maior solidariedade e justiça. Sua motivação existencial, antes mais inclinada à busca de satisfações sensitivas, torna-se agora mais desprendida das coisas materiais e mais abnegada para os outros. O amor quando é puro e nasce de uma experiência vital, se desapega com mais facilidade do que é material, porque tudo o que é material inclina o homem a buscar-se a si mesmo. Tudo o que é exageradamente sensível potencializa o homem a não valorizar a abnegação pelos outros. Por outro lado, quando se experimentam as alegrias da verdadeira amizade, desperta-se no espírito ímpetos de generosidade. E, no fundo, é isto que todo coração humano deseja para si: substituir os altos índices de veneno de amor-próprio, que o enfraquecem, por outros índices elevados de licor de amor, que o deixam feliz. Portanto, quando se iniciam na educação infantil aqueles hábitos da virtude da temperança e mais tarde, sem deixar estes, os hábitos da fortaleza, os educadores têm que ser conscientes que estão promovendo o desenvolvimento, na prática, da futura virtude da generosidade. É ela que dá sentido a todo aquele esforço inicial de enfraquecimento do apetite concupiscível (hábitos de temperança) e do fortalecimento do apetite irascível (hábitos de fortaleza). A melhor maneira de avaliar esse trabalho longo de educação nas virtudes afetivas é medir mais tarde o aumento da capacidade de amar e de ser generoso dos jovens.
               Fica fácil compreender agora porque um jovem que foi bem educado nas virtudes éticas desde cedo descobre sua própria identidade de forma quase conatural. Quando ele tem uma base amadurecida – fruto desse desenvolvimento das virtudes afetivas – fica mais livre e disposto para amar os outros e descobrir que sua realização dependerá do dom sincero de si mesmo. Esta capacidade de amar será a base para “se encontrar”. As típicas dúvidas existenciais – “Afinal, para quê existo?”, “Por que tenho esses gostos, inclinações e talentos?” – são mais facilmente respondidas quando estão associadas a alguma causa de serviço aos demais. Todas as qualidades, potencialidades e dons da pessoa humana recebem o seu verdadeiro sentido quando são iluminados por um projeto de vida. Este será o que gerará a motivação transcendental. Esta motivação é aquela que move o sujeito a colocar todas as suas aptidões para satisfazer as necessidades dos demais. A partir desse momento, quando se começa a vislumbrar e desenhar a própria identidade, a liberdade fica mais amadurecida, sabe-se o que se quer, e se inicia uma nova fase na vida: buscar os meios para realizar essa vocação que o realizará como pessoa humana. Nascem desejos de maior aptidão intelectual e de maior generosidade. Efetivamente, quando a pessoa humana adquire a capacidade de possuir-se, nasce de forma mais sincera a capacidade de dar-se. Como ajuda saber nos meios educacionais essa dinâmica da formação da personalidade: da maturidade humana nasce a identidade existencial (e, portanto, profissional). Dessa identidade, nasce de forma mais profunda a verdadeira liberdade. E, pelo contrário, da imaturidade nasce a falta de identidade e total desorientação vital. Destas, a libertinagem do mundo moderno.
               Fica claro, portanto, que quando há uma pré-disposição para a generosidade na criança a partir dos 11 anos de idade, devido à boa educação afetiva, os educadores deverão facilitar e fomentar hábitos dessa virtude. Aprofundemos como isso se pode fazer, tanto na família quanto na escola.
               Costuma-se dividir as práticas dessa virtude em três áreas principais: generosidade com as próprias coisas, com o tempo e com as suas qualidades e aptidões.
               A generosidade com as próprias coisas é um trabalho difícil, apesar de depender em parte tanto do temperamento da criança quanto do exemplo dos pais e professores. A criança nos anos da educação infantil tem uma tendência a dar somente o que sobra e a não dar de acordo com a necessidade das outras pessoas. Ela ainda não tem capacidade psicológica para detectá-las. Depois, quando chega em torno dos 11 anos, seus atos “generosos” costumam ser motivados unicamente quando existe uma relação afetiva desenvolvida – uma mãe, irmã, uma amiga, etc – , ou quando existe uma contrapartida ou, ainda, uma intenção interesseira. Os pais e professores deverão estar especialmente atentos nessas situações e ajudá-los a corrigir essas inclinações menos retas. Poderão, por exemplo, incentivá-los a que deixem brincar os meninos que não lhes atraiam tanto ou que ainda sejam distantes na amizade; ou ainda, que convidem novas companhias para compartilhar seus brinquedos quando descem para o playground. Uma forma que facilita essa aproximação é entusiasmá-los a ensinar a brincar os demais companheiros do parquinho com os novos jogos ou brinquedos. Costuma ser muito didático os pais e professores organizarem junto com os seus pimpolhos pequenas campanhas de solidariedade nas festas do dia da criança ou no Natal. Incentivá-los a que se desprendam dos brinquedos que não utilizam mais e vivenciem a alegria de compartilhar com outras crianças mais necessitadas os próprios brinquedos. Algumas famílias costumam, nessas idades, iniciar a formação do uso do dinheiro, com semanadas ou mesadas. Pode ser interessante desde que não sejam grandes quantias e que sirvam para aprender a administrá-lo e a doá-lo quando queiram. Na medida em que vão ficando mais velhos, é muito conveniente que aprendam a emprestar as coisas: um casaco quando um colega chega ao colégio em dia de frio de forma desprevenida; um dinheiro quando o colega calculou mal seus gastos; um DVD de uma banda de música que se detectou que algum amigo também aprecia; uma raquete de tênis quando o companheiro de esporte esqueceu a sua. Em todos estes empréstimos, o risco do prejuízo e da perda é parte da virtude da generosidade.
               O segundo campo para exercitar o hábito da generosidade é com relação ao tempo. O valor do tempo vai ficando mais cobiçado na medida em que as idades avançam, pois sempre escasseia para dar conta de todos os deveres. Mas nos primeiros anos, o tempo sobra. Não é um problema de quantidade, mas de querê-lo somente para si. As crianças não conseguem valorizar, num primeiro momento, um tempo gasto para outras pessoas. Por isso, os pais têm que ser muito pedagógicos neste campo, iniciando a prática deste hábito em pequenos pedidos de “doação de tempo” de forma que aos poucos a criança vivencie que ela se sente mais feliz ajudando aos demais do que ficando somente nas próprias coisas. Que comece ajudando na arrumação de alguma parte da casa ou da escola, depois que acompanhe a mãe nas compras, em seguida que aprenda a fazer companhia quando alguma pessoa mais velha ou doente necessita de alguém perto, e assim, de forma paulatina, comece a se estimular por sair mais de casa para ir brincar na casa de um vizinho ou no playground do prédio. É importante, nos dias que correm, não se deixar influenciar por certas tendências modernas que pressionam os pais a “entupir” os filhos de atividades extraclasse, com o intuito de que se desenvolvam mais rapidamente, ou que ocupem melhor o tempo, ou ainda que não fiquem em casa sem fazer nada. Pior ainda, como está acontecendo muito atualmente, é quando os pais usam dessa estratégia para que possam ter mais liberdade de atuação profissional ou pessoal. Esta atitude poderá ser eficiente num curto prazo, mas, a médio e longo prazo, esta hiper-estimulação em idades mais apropriadas para gastar o tempo em outras atividades mais caseiras ou brincando com os amigos, poderá deixá-los depois desmotivados com os estudos, hiperativos, irrequietos, nervosos, porque atrofiaram a capacidade natural da criança para ir atrás do conhecimento, da invenção, da descoberta, do encanto pela natureza e acabam ficando entediadas de tudo. Quando a iniciativa é dos filhos e propõe atividades esportivas, culturais ou musicais, os pais terão que ensinar-lhes nessas idades a planejarem o seu tempo, fazendo com eles, por exemplo, um horário fixo de atividades e contabilizarem as horas que estão dedicando para cada coisa. Quando o tempo para ficar em casa e com os amigos for inferior ao tempo que se dedicam a atividades extraclasse (por mais que nesses espaços possam se criar novos laços de amizade), é preciso ter uma atitude vigilante para não se educar os filhos a só fazerem aquilo que gostam, o que não é conveniente. Eles precisam ser educados a gostar também daquilo que não gostam inicialmente, por meio do estímulo e exemplo dos pais ou amigos, de maneira que possam despertar novos interesses mais tarde. Um exemplo claro disto, é, por exemplo, o incentivo à leitura desde cedo. No início poderá custar um pouco, mas é importante que descubram o enorme diferencial que hoje em dia se adquire quando se investe na formação cultural. É importante mostrar-lhes que os grandes homens que marcaram a história, quando se analisam suas biografias, tiveram em comum um grande capital cultural: Alexandre Magno, Tomás de Aquino, Ratzinger, Churcill são alguns desses expoentes.
               Um terceiro campo rico em momentos de generosidade é formar o jovem na entrega de seus dotes, talentos e qualidades. Desde cedo é importante fomentar na criança um bom sentimento de serviço aos demais com esses “presentes” da natureza. Se ele sabe desenhar bem, que pinte um quadro para a vovó. Se canta bem, que aprenda a se desinibir num aniversário e cante alguma canção do agrado do aniversariante. Se tem um caráter sociável, que se ofereça para ser o representante de turma do colégio. Se tem facilidade para os estudos, que dedique um tempo a auxiliar algum colega de sala ou algum irmão. Os pais e professores devem ajudar os jovens mais privilegiados de dotes artísticos e culturais para educá-los corretamente na humildade, fomentando-os sentimentos de gratidão a Deus, de modéstia e simplicidade.
               Quando a educação para a generosidade acontece de forma correta por meio das coisas, do tempo e das qualidades pessoais, os educadores têm meio caminho andado para formar no degrau mais elevado desta virtude que é a doação de si mesmo: dar-se. Ser generoso nos aspectos anteriores são pré-requisitos para que a criança adquira capacidade de entregar a sua própria vontade, que é sempre o mais custoso do amor. Como custa para uma criança obedecer quando os pais não sabem lhes dizer “não” para aspectos materiais desnecessários ou para satisfações de desejos fora de lugar ou momento. Por isso, fortalecerá muito o coração da criança para a generosidade quando é incentivada a obedecer de primeira e sem protestar. A escutar antes de obedecer. A obedecer de cara alegre, por mais que por dentro o orgulho fique ferido ou “chorando”.
               Mas não se tratará apenas de dar. Pode-se acusar uma pessoa de ser pouco generosa quando esta não está disposta a receber favores e ajuda dos demais. Que não lhes deixa que sejam generosos para com ela. O amor é sempre uma relação recíproca de amor e de entrega. O verdadeiro amor, por mais que não exija uma contrapartida, espera sempre que desse esvaziamento de si mesmo seja preenchido pelo amor do outro. Quando isso não acontece, criam-se vácuos sentimentais que mais tarde podem gerar desajustes afetivos ou psicológicos.
               Outro momento de grande transcendência para a generosidade é o momento de perdoar. É ato que pode custar muito, inclusive mais esforço que os previamente mencionados. Para perdoar faz falta ter uma grande segurança interior e um grande desejo de servir e querer aos demais. Não se trata de tirar importância do que outras pessoas nos podem ter feito nem de ser ingênuos, mas de reconhecer a necessidade dessa pessoa a receber amor, a receber nossa generosidade (por algo em que nos ofendeu), esforçando-nos em mostrar ao outro que não lhe rejeitamos pelo que fez. Esta atitude nobre mostra-lhe que o aceitamos e confiamos em suas possibilidades de melhora. Por isso, como nos primeiros anos é muito comum que uma criança ofenda a outra, tanto em casa quanto na escola, pais e professores têm que habituar-se a serem os apaziguadores desses conflitos, fomentando que as crianças façam rapidamente as pazes e esqueçam o conflito.
               Um indicador que a criança foi e está sendo bem educada nos hábitos da generosidade é a atitude de alegria habitual. A fonte da alegria profunda está no amor generoso. Uma pessoa alegre e generosa habitualmente atrairá a todos o que lhe rodeiam. Consequentemente, terá uma grande facilidade para fazer amigos. Gostará de ter amigos e amigos verdadeiros, não colegas ou amigos virtuais. Terá um sexto sentido para adiantar-se para pagar um refrigerante a um amigo, para saber ser o último a beber água no intervalo da educação física da escola, para organizar uma festa surpresa a outro que está precisando de uma “força”, ou ainda para ter a iniciativa de ligar para o que faltou na escola, porque estava doente, oferecendo-se para lhe levar o material das aulas. Um jovem generoso terá capacidade para mostrar real interesse pelas conversas dos demais e saberá respeitar jeitos, opiniões, gostos e inclusive a adequar-se às suas necessidades e preferências.
               Como vemos, mais uma vez terminamos estes artigos recordando a finalidade última da educação das virtudes éticas: conquistar a capacidade de amar. De alguma maneira, todo o educador almeja essa qualidade para todos os seus educandos, mas às vezes esquece que essa capacidade o jovem demora anos para obtê-la. Por isso, costumo aconselhar aos meus colegas educadores que meditem alguma vez um livro de pensamentos chamado Sulco que no tema que tratamos nos recorda algo muito sábio: “O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado”. Se no início dizíamos que um coração vazio de amor deixa o homem meio estranho, podemos afirmar, pelo contrário, que um coração cheio de amor de alguma maneira deixa o homem já no Céu.