quarta-feira, 17 de setembro de 2014

8º ENCONTRO DE GESTORES DE RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO

17 DE SETEMBRO DE 2014

PALESTRA PARA MAIS DE 200 GESTORES DE RECURSOS HUMANOS DAS SUBSECRETARIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ciclo de Palestras: Educar no Encanto - A boa e a má estimulação na apre...

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Palestra no Colégio Santa Monica (Unidade Taquara), para pais do Fundamental I, maio de 2014




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Educar para a generosidade

Artigo do meu próximo livro Escola com Corpo e Alma, um Manual de Ética para Pais, professores e alunos, para próxima publicação. Aguardem!



O famoso poeta espanhol Antonio Machado diz em um dos seus versos que “um coração solitário não é um coração”. Efetivamente, um coração vazio de amor, sempre deixa o homem estranho. Às vezes pode ser difícil descobrir a causa desse vazio, mas quase sempre o diagnóstico aponta para uma falha educativa familiar e escolar nos seus primeiros anos de vida. Seja por ignorância, seja por egoísmo disfarçado, muitos pais/professores hoje acreditam que demonstrar amor aos filhos/alunos é enchê-los de bens materiais, protegê-los de forma exagerada ou, ainda, satisfazer-lhes seus desejos de forma desmedida, temendo contristá-los com alguma renúncia. Educam-os abafando-lhes as tendências de qualquer coração sadio que nasceu para amar e aprender a amar. Como é importante educar no verdadeiro amor. Como é fácil se enganar no sentimentalismo. Equilibrar carinho, proteção e exigência é uma das principais preocupações do bom educador. Quando se desequilibram estas variáveis, o modelo educativo adotado sempre traz consequências nocivas às crianças. Umas ficam ansiosas e inseguras. Outras temerosas e desconfiadas. Muitas com baixa autoestima e carentes de atenção. A maioria, exigentes, queixosas, materialistas e impacientes com as dificuldades da vida. Por que ficam assim? Porque foram educados pelos pais a serem pequenos “deuses”. Os pais idolatram o amor humano, transformando o filho num pequeno deus exigente e déspota. Com o tempo, instrumentalizam esse deusinho na extensão do próprio “ego”, a quem também adoram. As vitórias dos filhos, na família e na escola, também são vitórias suas. As derrotas também, deixando-os algumas vezes tensos quando os fracassos ou doenças aparecem. É uma pedagogia às avessas. Ao invés de educarem os filhos para saírem de si mesmos e descobrirem os outros, a quem deverão dedicar seus talentos e sua vida, educam-os fortalecendo mais ainda a força centrípeta do egoísmo, fechando-os em si mesmos. Depois, quando chegam à maturidade, custa-lhes muito entender a linguagem do amor e acabam se tornando pouco humanos e desfigurados.
               Este processo educativo falacioso é o responsável, em parte, pelo atraso psicológico das crianças no mundo de hoje. Acabam demorando mais tempo a amadurecer, a descobrir sua identidade e o seu papel social. Consequentemente, domina-lhes a indiferença, a frieza, a tibieza, a moleza, a passividade. Estes costumam ser os sintomas mais evidentes dessa "vida-bolha” em que vivem. Mais tarde, na adolescência, nasce uma atitude de independência, na qual a confundem com a maturidade. Na prática, escondem-se numas aparências formais de gente adulta, mas internamente reina ainda um coração infantil, inseguro e egoísta, muitas vezes motivado somente por um insaciável desejo de prazer material e de visibilidade (vaidade).
               Urge, portanto, fomentar novas políticas educacionais que favoreçam um melhor desenvolvimento da pessoa humana. Quando esta é bem educada, nasce uma personalidade bem formada e equilibrada, da qual distingue com clareza a boa da má independência. Saberá que a boa procederá da liberdade interior, das convicções e do viver de modo desprendido e não da frieza do adolescente. Ela conseguirá atuar com certo desapego das opiniões alheias e a fará ser ao mesmo tempo independente e dependente dos demais, com uma grande capacidade afetiva. Vai conseguindo uma unidade de vida, não importando onde esteja ou com quem esteja. Integra progressivamente na vida os “motores” que se encontram na base de uma personalidade sólida e bem formada. Como diz Alejando Llano, “a poesia do coração vai penetrando na prosa da inteligência”. O homem virtuoso consegue, pois, entrelaçar todos os seus recursos – inteligência, vontade e afetividade – e os coloca ao serviço do amor. A sua inteligência inspira-lhe boas intenções e a sua vontade, sustida pelo coração, põe-nas em prática com alegria e prontidão.
               A grande questão que todo o leitor deverá estar se fazendo é como desenhar na prática essas políticas educacionais. O objetivo deste artigo é justamente este. Ele pretende demonstrar que será possível vislumbrar jovens com essa personalidade rica, como descrevemos anteriormente, se o processo de educação nas virtudes éticas não parar no início da adolescência, mas perseverar até à maturidade. Depois de termos aprofundado, em artigos anteriores, na ética das virtudes da afetividade – na temperança, com seus quatro campos principais, e na fortaleza, com seus quatro campos integrantes –, que devem ser incentivadas nos primeiros anos de vida até ao final do primário (fundamental I), pretendemos ilustrar agora como dar continuidade nessa formação e quais são as virtudes que se devem fomentar a partir dos 11 anos. Para entendermos melhor esse processo, recordemo-lo de forma resumida.
               Quando um jovem consegue ir desmascarando a mentira da mera alegria hedonista, que a sociedade materialista lhe impõe, ele conquista uma força para se desprender dos atrativos dos bens materiais. Começa a saborear a verdadeira liberdade interior que lhe proporciona uma vida temperante. Aliada a essa leveza de espírito, se também for formado nos hábitos da virtude da fortaleza e na busca do bem árduo, sua impulsividade para o bem começa a descobrir com mais lucidez que o verdadeiro bem que o deixa realmente feliz é se sacrificar generosamente pelos demais. Começará a brotar de forma conatural e livre ímpetos de uma maior solidariedade e justiça. Sua motivação existencial, antes mais inclinada à busca de satisfações sensitivas, torna-se agora mais desprendida das coisas materiais e mais abnegada para os outros. O amor quando é puro e nasce de uma experiência vital, se desapega com mais facilidade do que é material, porque tudo o que é material inclina o homem a buscar-se a si mesmo. Tudo o que é exageradamente sensível potencializa o homem a não valorizar a abnegação pelos outros. Por outro lado, quando se experimentam as alegrias da verdadeira amizade, desperta-se no espírito ímpetos de generosidade. E, no fundo, é isto que todo coração humano deseja para si: substituir os altos índices de veneno de amor-próprio, que o enfraquecem, por outros índices elevados de licor de amor, que o deixam feliz. Portanto, quando se iniciam na educação infantil aqueles hábitos da virtude da temperança e mais tarde, sem deixar estes, os hábitos da fortaleza, os educadores têm que ser conscientes que estão promovendo o desenvolvimento, na prática, da futura virtude da generosidade. É ela que dá sentido a todo aquele esforço inicial de enfraquecimento do apetite concupiscível (hábitos de temperança) e do fortalecimento do apetite irascível (hábitos de fortaleza). A melhor maneira de avaliar esse trabalho longo de educação nas virtudes afetivas é medir mais tarde o aumento da capacidade de amar e de ser generoso dos jovens.
               Fica fácil compreender agora porque um jovem que foi bem educado nas virtudes éticas desde cedo descobre sua própria identidade de forma quase conatural. Quando ele tem uma base amadurecida – fruto desse desenvolvimento das virtudes afetivas – fica mais livre e disposto para amar os outros e descobrir que sua realização dependerá do dom sincero de si mesmo. Esta capacidade de amar será a base para “se encontrar”. As típicas dúvidas existenciais – “Afinal, para quê existo?”, “Por que tenho esses gostos, inclinações e talentos?” – são mais facilmente respondidas quando estão associadas a alguma causa de serviço aos demais. Todas as qualidades, potencialidades e dons da pessoa humana recebem o seu verdadeiro sentido quando são iluminados por um projeto de vida. Este será o que gerará a motivação transcendental. Esta motivação é aquela que move o sujeito a colocar todas as suas aptidões para satisfazer as necessidades dos demais. A partir desse momento, quando se começa a vislumbrar e desenhar a própria identidade, a liberdade fica mais amadurecida, sabe-se o que se quer, e se inicia uma nova fase na vida: buscar os meios para realizar essa vocação que o realizará como pessoa humana. Nascem desejos de maior aptidão intelectual e de maior generosidade. Efetivamente, quando a pessoa humana adquire a capacidade de possuir-se, nasce de forma mais sincera a capacidade de dar-se. Como ajuda saber nos meios educacionais essa dinâmica da formação da personalidade: da maturidade humana nasce a identidade existencial (e, portanto, profissional). Dessa identidade, nasce de forma mais profunda a verdadeira liberdade. E, pelo contrário, da imaturidade nasce a falta de identidade e total desorientação vital. Destas, a libertinagem do mundo moderno.
               Fica claro, portanto, que quando há uma pré-disposição para a generosidade na criança a partir dos 11 anos de idade, devido à boa educação afetiva, os educadores deverão facilitar e fomentar hábitos dessa virtude. Aprofundemos como isso se pode fazer, tanto na família quanto na escola.
               Costuma-se dividir as práticas dessa virtude em três áreas principais: generosidade com as próprias coisas, com o tempo e com as suas qualidades e aptidões.
               A generosidade com as próprias coisas é um trabalho difícil, apesar de depender em parte tanto do temperamento da criança quanto do exemplo dos pais e professores. A criança nos anos da educação infantil tem uma tendência a dar somente o que sobra e a não dar de acordo com a necessidade das outras pessoas. Ela ainda não tem capacidade psicológica para detectá-las. Depois, quando chega em torno dos 11 anos, seus atos “generosos” costumam ser motivados unicamente quando existe uma relação afetiva desenvolvida – uma mãe, irmã, uma amiga, etc – , ou quando existe uma contrapartida ou, ainda, uma intenção interesseira. Os pais e professores deverão estar especialmente atentos nessas situações e ajudá-los a corrigir essas inclinações menos retas. Poderão, por exemplo, incentivá-los a que deixem brincar os meninos que não lhes atraiam tanto ou que ainda sejam distantes na amizade; ou ainda, que convidem novas companhias para compartilhar seus brinquedos quando descem para o playground. Uma forma que facilita essa aproximação é entusiasmá-los a ensinar a brincar os demais companheiros do parquinho com os novos jogos ou brinquedos. Costuma ser muito didático os pais e professores organizarem junto com os seus pimpolhos pequenas campanhas de solidariedade nas festas do dia da criança ou no Natal. Incentivá-los a que se desprendam dos brinquedos que não utilizam mais e vivenciem a alegria de compartilhar com outras crianças mais necessitadas os próprios brinquedos. Algumas famílias costumam, nessas idades, iniciar a formação do uso do dinheiro, com semanadas ou mesadas. Pode ser interessante desde que não sejam grandes quantias e que sirvam para aprender a administrá-lo e a doá-lo quando queiram. Na medida em que vão ficando mais velhos, é muito conveniente que aprendam a emprestar as coisas: um casaco quando um colega chega ao colégio em dia de frio de forma desprevenida; um dinheiro quando o colega calculou mal seus gastos; um DVD de uma banda de música que se detectou que algum amigo também aprecia; uma raquete de tênis quando o companheiro de esporte esqueceu a sua. Em todos estes empréstimos, o risco do prejuízo e da perda é parte da virtude da generosidade.
               O segundo campo para exercitar o hábito da generosidade é com relação ao tempo. O valor do tempo vai ficando mais cobiçado na medida em que as idades avançam, pois sempre escasseia para dar conta de todos os deveres. Mas nos primeiros anos, o tempo sobra. Não é um problema de quantidade, mas de querê-lo somente para si. As crianças não conseguem valorizar, num primeiro momento, um tempo gasto para outras pessoas. Por isso, os pais têm que ser muito pedagógicos neste campo, iniciando a prática deste hábito em pequenos pedidos de “doação de tempo” de forma que aos poucos a criança vivencie que ela se sente mais feliz ajudando aos demais do que ficando somente nas próprias coisas. Que comece ajudando na arrumação de alguma parte da casa ou da escola, depois que acompanhe a mãe nas compras, em seguida que aprenda a fazer companhia quando alguma pessoa mais velha ou doente necessita de alguém perto, e assim, de forma paulatina, comece a se estimular por sair mais de casa para ir brincar na casa de um vizinho ou no playground do prédio. É importante, nos dias que correm, não se deixar influenciar por certas tendências modernas que pressionam os pais a “entupir” os filhos de atividades extraclasse, com o intuito de que se desenvolvam mais rapidamente, ou que ocupem melhor o tempo, ou ainda que não fiquem em casa sem fazer nada. Pior ainda, como está acontecendo muito atualmente, é quando os pais usam dessa estratégia para que possam ter mais liberdade de atuação profissional ou pessoal. Esta atitude poderá ser eficiente num curto prazo, mas, a médio e longo prazo, esta hiper-estimulação em idades mais apropriadas para gastar o tempo em outras atividades mais caseiras ou brincando com os amigos, poderá deixá-los depois desmotivados com os estudos, hiperativos, irrequietos, nervosos, porque atrofiaram a capacidade natural da criança para ir atrás do conhecimento, da invenção, da descoberta, do encanto pela natureza e acabam ficando entediadas de tudo. Quando a iniciativa é dos filhos e propõe atividades esportivas, culturais ou musicais, os pais terão que ensinar-lhes nessas idades a planejarem o seu tempo, fazendo com eles, por exemplo, um horário fixo de atividades e contabilizarem as horas que estão dedicando para cada coisa. Quando o tempo para ficar em casa e com os amigos for inferior ao tempo que se dedicam a atividades extraclasse (por mais que nesses espaços possam se criar novos laços de amizade), é preciso ter uma atitude vigilante para não se educar os filhos a só fazerem aquilo que gostam, o que não é conveniente. Eles precisam ser educados a gostar também daquilo que não gostam inicialmente, por meio do estímulo e exemplo dos pais ou amigos, de maneira que possam despertar novos interesses mais tarde. Um exemplo claro disto, é, por exemplo, o incentivo à leitura desde cedo. No início poderá custar um pouco, mas é importante que descubram o enorme diferencial que hoje em dia se adquire quando se investe na formação cultural. É importante mostrar-lhes que os grandes homens que marcaram a história, quando se analisam suas biografias, tiveram em comum um grande capital cultural: Alexandre Magno, Tomás de Aquino, Ratzinger, Churcill são alguns desses expoentes.
               Um terceiro campo rico em momentos de generosidade é formar o jovem na entrega de seus dotes, talentos e qualidades. Desde cedo é importante fomentar na criança um bom sentimento de serviço aos demais com esses “presentes” da natureza. Se ele sabe desenhar bem, que pinte um quadro para a vovó. Se canta bem, que aprenda a se desinibir num aniversário e cante alguma canção do agrado do aniversariante. Se tem um caráter sociável, que se ofereça para ser o representante de turma do colégio. Se tem facilidade para os estudos, que dedique um tempo a auxiliar algum colega de sala ou algum irmão. Os pais e professores devem ajudar os jovens mais privilegiados de dotes artísticos e culturais para educá-los corretamente na humildade, fomentando-os sentimentos de gratidão a Deus, de modéstia e simplicidade.
               Quando a educação para a generosidade acontece de forma correta por meio das coisas, do tempo e das qualidades pessoais, os educadores têm meio caminho andado para formar no degrau mais elevado desta virtude que é a doação de si mesmo: dar-se. Ser generoso nos aspectos anteriores são pré-requisitos para que a criança adquira capacidade de entregar a sua própria vontade, que é sempre o mais custoso do amor. Como custa para uma criança obedecer quando os pais não sabem lhes dizer “não” para aspectos materiais desnecessários ou para satisfações de desejos fora de lugar ou momento. Por isso, fortalecerá muito o coração da criança para a generosidade quando é incentivada a obedecer de primeira e sem protestar. A escutar antes de obedecer. A obedecer de cara alegre, por mais que por dentro o orgulho fique ferido ou “chorando”.
               Mas não se tratará apenas de dar. Pode-se acusar uma pessoa de ser pouco generosa quando esta não está disposta a receber favores e ajuda dos demais. Que não lhes deixa que sejam generosos para com ela. O amor é sempre uma relação recíproca de amor e de entrega. O verdadeiro amor, por mais que não exija uma contrapartida, espera sempre que desse esvaziamento de si mesmo seja preenchido pelo amor do outro. Quando isso não acontece, criam-se vácuos sentimentais que mais tarde podem gerar desajustes afetivos ou psicológicos.
               Outro momento de grande transcendência para a generosidade é o momento de perdoar. É ato que pode custar muito, inclusive mais esforço que os previamente mencionados. Para perdoar faz falta ter uma grande segurança interior e um grande desejo de servir e querer aos demais. Não se trata de tirar importância do que outras pessoas nos podem ter feito nem de ser ingênuos, mas de reconhecer a necessidade dessa pessoa a receber amor, a receber nossa generosidade (por algo em que nos ofendeu), esforçando-nos em mostrar ao outro que não lhe rejeitamos pelo que fez. Esta atitude nobre mostra-lhe que o aceitamos e confiamos em suas possibilidades de melhora. Por isso, como nos primeiros anos é muito comum que uma criança ofenda a outra, tanto em casa quanto na escola, pais e professores têm que habituar-se a serem os apaziguadores desses conflitos, fomentando que as crianças façam rapidamente as pazes e esqueçam o conflito.
               Um indicador que a criança foi e está sendo bem educada nos hábitos da generosidade é a atitude de alegria habitual. A fonte da alegria profunda está no amor generoso. Uma pessoa alegre e generosa habitualmente atrairá a todos o que lhe rodeiam. Consequentemente, terá uma grande facilidade para fazer amigos. Gostará de ter amigos e amigos verdadeiros, não colegas ou amigos virtuais. Terá um sexto sentido para adiantar-se para pagar um refrigerante a um amigo, para saber ser o último a beber água no intervalo da educação física da escola, para organizar uma festa surpresa a outro que está precisando de uma “força”, ou ainda para ter a iniciativa de ligar para o que faltou na escola, porque estava doente, oferecendo-se para lhe levar o material das aulas. Um jovem generoso terá capacidade para mostrar real interesse pelas conversas dos demais e saberá respeitar jeitos, opiniões, gostos e inclusive a adequar-se às suas necessidades e preferências.
               Como vemos, mais uma vez terminamos estes artigos recordando a finalidade última da educação das virtudes éticas: conquistar a capacidade de amar. De alguma maneira, todo o educador almeja essa qualidade para todos os seus educandos, mas às vezes esquece que essa capacidade o jovem demora anos para obtê-la. Por isso, costumo aconselhar aos meus colegas educadores que meditem alguma vez um livro de pensamentos chamado Sulco que no tema que tratamos nos recorda algo muito sábio: “O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado”. Se no início dizíamos que um coração vazio de amor deixa o homem meio estranho, podemos afirmar, pelo contrário, que um coração cheio de amor de alguma maneira deixa o homem já no Céu.




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A virtude da temperança: o AEIOU da educação infantil


                É frequente ser questionado nas diversas palestras que ministro em várias instituições de ensino do por que insisto tanto na importância do estímulo à virtude da temperança na educação infantil. O motivo principal dessa minha “obsessão” nasceu do estudo da tese de doutorado de Jose Manuel Roqueñi (Educación de la Afectividade: Una propuesta desde el Pensamiento de Tomás de Aquino. España: Editora EUNSA, 2005), no qual o autor fundamenta com propriedade a urgência da prática dessa virtude nos dias de hoje. Segundo o autor, uma criança do zero aos sete anos de idade, por ainda estar formando sua capacidade intelectiva, não consegue vislumbrar bens mediatos, ou seja, aqueles que se conquistam com esforço e num futuro próximo ou remoto, mas que são os que realmente satisfazem o ser humano, pois duram muito mais e são mais convenientes para a sua natureza racional. Portanto, enquanto essa falta de percepção e de fraqueza permanecerem, é natural que a criança tenha uma forte inclinação para buscar a satisfação de suas necessidades de forma exagerada em outros bens, chamados imediatos, justamente por serem mais efêmeros e fáceis de conseguir. Essa inclinação, com o tempo, vai se fortalecendo ainda mais, principalmente porque estes meios não lhes satisfazem e é ilusório o fato de que o mero aumento na quantidade desses bens imediatos a satisfaçam algum dia. Para exemplificar de forma analógica, seria como deixar a criança alimentar-se apenas de algodão doce e esperar que ela seja satisfeita e bem nutrida apenas com guloseimas! Fica, portanto, evidenciado do porque é fundamental estar insistindo na formação dos pais na necessária intervenção do educador (pai e professor) para estimular a criança a substituir o “algodão doce” pelo “filé-mignon”, antes que essa inclinação enganosa se torne um mecanismo vicioso e mentiroso.


Essa é a virtude da temperança, que nessas idades ainda não se chamam propriamente virtudes, mas de hábitos bons. A verdadeira virtude necessita que essa capacidade intelectual esteja devidamente desenvolvida de forma a gerar o apetite racional, próprio do conceito de virtude. No final do artigo, exemplificaremos algumas intervenções práticas que os educadores podem e devem fazer para que a criança vá adquirindo hábitos corretos de temperança.
                Mas antes disso, é preciso elucidar os educadores que além dessa incapacidade antropológica que as crianças apresentam para descobrir e querer o que vale a pena, elas experimentam uma segunda força contrária para as escolhas corretas: uma forte tendência egocêntrica. Cada criança nasce com porcentagens muito elevadas de amor a si mesmo, que de alguma maneira lhes forçam, de forma desmedida e não conveniente, a buscar coisas que lhes satisfaçam, pessoas que lhes agradem e passatempos que lhes contentam. Todas essas coisas, pessoas e passatempos são boas e necessárias para a sua realização, mas até certos limites. A criança não consegue perceber que satisfazer essas necessidades sem racionalidade, que seu ego lhe impõe, lhe tornam cada vez mais egoísta. Por isso, um dos grandes ideais dos educadores é conseguir substituir na criança esses altos índices de amor próprio por outros de amor ao próximo, diminuindo de forma paulatina e suave os primeiros e aumentando os segundos, com pequenas renúncias pelos outros. A criança tem que ser ajudada a descobrir que só será feliz quando conseguir amar aos outros mais ou igual a si mesma. Enquanto não acontecer este equilíbrio interior, ela sempre terá uma percepção da realidade deformada e se utilizará das coisas e dos outros de forma a satisfazê-la de forma errada e imatura. Com o tempo, se isolará dos outros, porque não amará ninguém; ou então, os outros se afastarão dela, porque se sentirão instrumentalizados ou injustiçados.
                A arte de educar consiste justamente em saber dosar quando se deve satisfazer esse amor exagerado da criança com coisas, pessoas ou passatempos e quando se deve adiar ou diminuir estas satisfações. Algumas teorias freudianas anunciaram o perigo de “podar” essas satisfações da criança ou de adiá-las, pois poderiam traumatizá-la. Essas teorias estavam certas. Não se pode podar ou negar sem colocar nada em troca, criando como um vácuo no coração da criança. O segredo dessa ciência do amor está, ao invés de podar, castrar, negar prazeres à criança, que ela substitua esse amor próprio por amor aos demais. Esse é o sentido da renúncia. A título de exemplo, ela precisa vivenciar que deixar de comer uma nova porção de pudim para que os outros membros da família possam também comer lhe torna feliz. Ela precisa descobrir que arrumar o brinquedo na gaveta, para que os irmãos possam também encontrá-lo quando quiserem é mais prazeroso do que ceder na desordem. Ela necessita concluir que não correr no corredor da escola para não atrapalhar o trabalho dos demais é o mais correto. Como vemos, educar nos hábitos da temperança consiste em ajudar a criança a enxergar que ela não é única no mundo, mas que existem outras pessoas que ela precisa se preocupar, alegrar, servir, amar e compartilhar. Naturalmente, no início deste processo formativo, estas negações (substituições) de prazeres farão a criança sofrer –qualquer sofrimento humano é justamente privá-lo daquilo que seu ego mais deseja–, mas depois, aos poucos, ao experimentar um prazer mais forte que vem do amor aos demais, a criança vai aprendendo que esse é o caminho da verdadeira felicidade. Ela começa a desenvolver o que se  chama de razão prática, que lhe capacita a fazer cada vez mais rapidamente as escolhas corretas: adiar escolhas que gosta e escolher coisas que não gosta, por amor aos demais.
                Da ideia anterior, nasce uma terceira força negativa que está dificultando a criança a substituir o algodão doce pelo filé-mignon: o amor exagerado de muitos pais nos dias que correm, com suas decorrências de superproteção, mimos, caprichos, fugas educativas, fraquezas sentimentais, entre outras. O motivo é simples: muitos pais vêm de gerações anteriores nas quais já foram educados com as duas forças negativas que descrevemos anteriormente, portanto, de forma pouco perceptiva do bem e com tendências egoístas e, por isso, como dizíamos anteriormente, não aprenderam a descobrir os bens mediatos, mas somente os imediatos; e/ou não aprenderam a ética da substituição das coisas/pessoas/passatempos pelo amor aos outros. Quando chegam à idade adulta, com estes desajustes psicológicos, pode acontecer que os filhos se tornem “extensões” do próprio ego, utilizando-os para se satisfazerem em consolos, carinhos e sentimentos egoístas e não consigam sofrer o inevitável sacrifício que exige a dever de educar. Consequentemente, é compreensível que sintam depois enorme dificuldade em negar aos filhos tudo o que eles queiram de forma desmedida, pois na prática se sentirão negando-se a si mesmos, coisa que nunca se habituaram a realizar anteriormente. O sofrimento dos filhos ao renunciar alguma coisa, de alguma forma, é transferido para o ego dos pais. Podemos concluir, portanto, que muitas vezes a forma de educar os filhos reflete, em geral, como cada pai foi se educando ao longo da vida.
                Outro fator relacionado ainda a esta terceira força negativa é o sentimento de culpa de muitos pais ao estarem ausentes muito tempo devido às suas obrigações profissionais. Os motivos destas ausências podem ser diversos, uns mais necessários do que outros, e não aprofundaremos aqui esta discussão, mas é fato que muitos pais são levados a compensar a falta da presença no lar por “presentes” dos mais diversos tipos, materiais ou psicológicos (modelos permissivos de educar). Naturalmente, os excessos de bens imediatos pelos mediatos serão a forma habitual dos pais educarem os filhos, dificultando-os a colocar ordem no próprio interior; e, por outro lado, colaborando na desordem desse amor próprio exagerado dos filhos, pois estarão continuamente alimentando-os de maneira nociva, quase sempre de forma inconsciente.
                Penso que agora já podemos enxergar com mais clareza o porquê de hoje em dia ser premente insistir na educação do hábito da temperança. Em primeiro lugar, pois percebemos que muitas crianças estão sendo educadas de forma incorreta por muitos educadores e estes não enxergam suas inevitáveis e tristes consequências futuras. Depois, porque vivemos numa sociedade relativista e materialista, na qual se pressiona mais ainda esses pais a permanecerem nessa mentira educacional. E por fim, porque é preciso esclarecer que só com a virtude da temperança os pais conseguirão produzir os bons frutos educativos que todos desejam, que costumo chamar do AEIOU da educação infantil (forma mnemônica). Vejamos quais são esses frutos.
                Em primeiro lugar, o hábito da temperança proporciona com o passar do tempo um maior Autodomínio na criança, ou seja, enquanto ela for aprendendo a linguagem ética desde cedo, ela irá se alfabetizar no bem e conseguirá traduzir com rapidez que em muitas ocasiões da vida ter que dizer para si mesmo ou para um amigo “não” significa, na realidade, dizer “sim”: sim para a boa autonomia, para o respeito aos demais, para verdadeira liberdade.
Depois, o segundo fruto da temperança é um maior Equilíbrio. Terá uma maior capacidade de aguentar e superar as frustrações e dificuldades da vida. Não ficará à mercê das circunstâncias do ânimo, do clima, da opinião dos outros, da condição social, do reconhecimento, da visibilidade, mas apresentará uma maior harmonia interior que se refletirá num sorriso constante, num bom humor habitual, na certeza de que se colocar esforço e trabalho nos seus deveres, com persistência, alcançará os objetivos que estão de acordo com as suas potencialidades e capacidades.
Continuando a vislumbrar os frutos da temperança, uma criança temperante se torna mais Inteligente. Já os antigos gregos chamavam à temperança aquela qualidade que “protege a inteligência”. Tal é a importância desta nossa potência superior, que os antigos sentiam a necessidade de protegê-la da animalização e da destruição. É dessa época que surge a expressão “pão e circo” para o povo, quando seus governantes queriam manter a plebe sob suas mãos ou de forma anestesiada. Esta estratégia de dominação funciona até hoje, seja a nível pessoal, seja a nível coletivo. Efetivamente, uma criança que desde pequena foi sendo satisfeita em todos os seus anseios afetivos, tem mais dificuldade na percepção do bem e do que vale a pena, pois esses valores em geral estão atrelados ao sacrifício e ao esforço. O ego lhe dominará muito mais facilmente, assim como a mídia, os amigos, os antivalores. Quando as paixões humanas são fortalecidas pelos bens imediatos e pelo egocentrismo de forma exagerada, o apetite concupiscível (aquele apetite para o prazer sensível) acaba enfraquecendo o apetite irascível (aquele apetite para o esforço e o bem árduo) e o apetite racional. Essa inclinação para o mais fácil de alguma maneira vai deixando a criança menos inteligente, pois lhe incapacita para a descoberta dos verdadeiros prazeres do ser humano, como são o prazer das descobertas intelectuais e o prazer do verdadeiro amor aos demais. É preciso recordar com frequência que a natureza da criança lhe predispõe para se encantar com as coisas, com as belezas da natureza, com as maravilhas dos valores. Que pena quando os pais abafam estas potencialidades por ignorância educacional.
O quarto fruto da temperança é a Ordem. Já falamos acima desta ordem das potências, mas acredito que vale a pena frisar que a nossa criança só se sentirá feliz quando os motores da inteligência, vontade e afetividade estiverem funcionando perfeitamente e de forma sincronizada como um avião trimotor que impulsiona a aeronave de forma correta para frente. Portanto, é preciso estar continuamente ordenando e fortalecendo as potências da inteligência e da vontade de forma a capacitar a afetividade para o correto direcionamento dos impulsos afetivos e egocêntricos para os outros.
Por fim, uma criança bem educada pelos pais no hábito da temperança aprenderá a Usar bem as coisas e as pessoas, sempre como meio e nunca como um fim da vida. Inevitavelmente, uma pessoa intemperante tende a confundir aquilo que é meio pelo que é fim. Por exemplo, colocar o dinheiro acima de tudo, ou buscar requintes exagerados na comida ou em festas dispendiosas e desproporcionadas ao que se comemora, etc.
                Para terminar, gostaria de propor algumas medidas práticas que os pais poderão se exercitar com os seus filhos no hábito da temperança, sem querer esgotar o tema, pois será objeto de artigos futuros. Mas segundo Aristóteles, a temperança deve ser adquirida principalmente em 4 subcampos: 1) aspectos relacionado à ordem temporal e espacial; 2) maneiras corretas de bom relacionamento (convivência); 3) formas convenientes de boa conduta pessoal, buscando uma maior beleza interior, privilegiando-a à exterior; 4) cuidados com os excessos e supérfluos na comida/bebida, sono, diversão, chamada  da virtude da sobriedade. Obviamente, os pais terão que adequar cada exemplo que se dará a seguir à idade e capacidade de cada filho, pois não existem regras gerais nestes campos. A virtude da prudência tem a missão de adequar cada princípio geral ao caso concreto.
                A forma de conquistar a ordem temporal dos filhos é habituá-los a dar-lhes uma sequência de atividades. Por exemplo, a mãe deve dizer quando inicia o fim de semana o que vão fazer: “neste sábado, de manhã cedo iremos à casa da vovó, depois vamos à feira, almoçamos em casa e de tarde vamos passear no shopping”. Só o fato de colocar uma sequência de atividades no dia das crianças faz com que elas fiquem mais calmas e tranquilas. Caso contrário, qualquer educador comprova facilmente como elas ficam de mau humor e briguentas. Para conseguir a ordem espacial, o mais indicado é habituar os filhos a “batizar” lugares das coisas junto com eles: “onde vamos guardar os brinquedos?, os sapatos?, a roupa?, os copos?”, e forçá-los a guardarem estas coisas na hora certa, com persistência.
                A maneira mais eficaz para habituá-los na boa convivência é conseguir que fomentem o respeito com os demais, ensinando-os a agradecer e a pedir ”por favor”; que se exercitem na amizade desde cedo, chamando os coleguinhas pelo nome, que olhem nos seus olhos quando falam com eles, que os chamem para brincar juntos; que descubram a alegria de compartilhar as coisas com os colegas –o brinquedo no parque, o bolo do lanche, a festa de aniversário-; que tenham espírito colaborativo, como obedecer às professoras, ajudar na montagem das cadeiras para o jantar, etc.
                Crescer na boa conduta são inúmeros aspectos relacionados à boa comunicação (não comer com a boca cheia, bater à porta quando se vai entrar numa sala ou quarto, não falar palavrão ou palavras ofensivas, falar mais alto ou mais baixo), à boa postura (usar o guardanapo, não colocar o dedo no nariz, comer direito, não correr e gritar em locais inconvenientes), ao vestuário (vestir-se corretamente, adequadamente em função da atividade, limpo, cuidados com o pudor, etc) e ao brincar (de acordo com a idade, com o sexo, com o local, com o tempo correto, etc).
                Por fim, os pais devem educar em diversos hábitos relacionados com a sobriedade, como o uso correto do sono, que é dormir o tempo certo, na hora certa, no local certo; cuidar várias recomendações dos pediatras sobre a boa alimentação, como comer verduras, não comer guloseimas, não permitir caprichos, que comam sozinhos sem ajuda de ninguém com 1 ano de idade, não comer vendo TV, etc. Toda a preocupação com o número correto de brinquedos, de forma que não os tenha em excesso (se ganham muitos dos parentes, os pais devem guarda-los e trocá-los 3 vezes ao ano), com o número exagerado de tempo na TV/videogames/desenhos. Gastos exagerados com festas de aniversários. Uso dispendioso de roupa e todos os cuidados para que durem muito tempo e se possam passar para os irmãos.

                Como vemos, os exemplos são inúmeros. A exigência é grande. Lembrar de todos estes aspectos todos os dias pode ser difícil. Mas o importante é que os pais reflitam, com a leitura deste artigo, que o trabalho de formar uma criança é bastante complexo e exige seriedade no uso destes recursos. Acredito que o mais motivador para perseverar nesta “batalha educativa” é saborear os frutos do AEIOU da temperança, pois eles aparecem muito rapidamente na educação infantil. Quando os pais se omitem nesta matéria, os frutos amargos também aparecem, mais cedo ou mais tarde, e acredito que nenhum pai honesto pode querê-los para os seus filhos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Educando pais e filhos: uma comunicação eficaz

COMPARTILHO PALESTRA QUE PROFERI PARA OS ALUNOS DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA DA VALE - VALER - SOBRE COMO MELHORAR A COMUNICAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS.

Vale a pena gastar 30 minutos de seu tempo para refletir num tema tão importante.

Compartilhe com todos os seus amigos que têm filhos pequenos e estão precisando ser ajudados nesta matéria.

Em seguida, quem tiver mães que precisam receber dicas de amamentação, vale a pena assistir em seguida a um dos maiores especialistas do Brasil sobre esse tema: Dr. Marcos Carvalho

ENTREVISTA AO JORNALISTA JONATAS DIAS LIMA DO GAZETA DO POVO (CURITIBA)


1)     Há linhas na educação que defendem que o ensino de virtudes é algo subjetivo e por isso deveria se limitar ao foro íntimo, sem ser adotado como programa em sala de aula. Como o senhor responde a essa crítica?


As pessoas que têm essas linhas de educação são as mesmas que acreditam que a liberdade do homem é absoluta e ilimitada. A rejeição à objetividade da verdade é uma reação que já têm muitas décadas e que de alguma maneira é uma repulsa ao legalismo da lei moral, repulsa na qual compartilho: não podemos querer que todos vivam do mesmo jeito, em todas as circunstâncias e abstraindo-se de culturas, condições socioeconômicas, etc. A lei moral-ética deve ser a consequência da descoberta do bem, do que leva à felicidade a pessoa humana e não sua causa, como queriam os iluministas europeus. Eu vivo tal princípio ético porque descobri que é um bem para mim e para os outros, e não, ao inverso, porque está na lei ética tal princípio que me obriga a vivê-lo que torna a ação um bem. Essa reação ao legalismo “kantiano” levou o pêndulo histórico para o lado oposto nos inícios do século XX. Achar que então tudo é permitido, nada deve ser proibido, que deve ser defendido e privilegiado a liberdade sem limites, sem outras restrições que a liberdade dos outros, que tudo é subjetivo... O problema desta postura é que se acaba produzindo, depois, na prática, a mesma “ditadura” que se pretendia combater com o legalismo déspota. É a chamada “ditadura do relativismo”, que provoca graves injustiças sociais e uma autêntica guerra cível “sem armas”, pois na hora de se dirimir entre duas posturas rivais, necessariamente irá ganhar aquela que tiver mais força, mais poder, mais influência econômica, provocando a mesma desarmonia social. Aceitar o subjetivismo na educação é assinar embaixo a omissão do dever de educar e autorizar o caos social decorrente de um orgulho intelectual que sempre se acredita iluminado.
Uma postura mais moderna da educação, na qual alinho, dita que é possível compaginar a objetividade e a subjetividade da verdade da virtude. Ela acredita que todo o processo educativo tem que acreditar que toda a criança tem um poder inato de se encantar com a verdade, com o conhecimento, e quando é ajudada pelos pais e educadores, num ambiente de carinho e respeito, interagindo com os seus iguais, ela consegue não só descobrir a verdade sobre o mundo, mas sobre ela mesma, vivendo mais feliz por meio da prática da virtude. Ela consegue descobrir a arte de ser feliz! Consegue perceber que é muito melhor estudar numa mesa do quarto das 14 às 16 h do que ficar deitado na cama, vendo tv e dando uma olhada numa matéria escolar ao mesmo tempo. Ela consegue descobrir sozinha que é muito mais enriquecedor sacrificar-se por um amigo, ajudando-o no dever escolar do que ficar brincando sozinha no computador horas a fio. A virtude tem um encanto que motiva a criança a busca-la sempre mais, quando ela encontra o ambiente adequado para se encantar com a virtude. Ela descobre pelos educadores uns princípios éticos gerais objetivos para toda a natureza humana – preciso, por exemplo, ser responsável nos estudos, preciso ser amigo dos que convivem comigo (olhando os exemplos anteriores) – e, depois, caberá a ela decidir como aplicar esses princípios gerais ao seu caso particular – devo estudar com rijeza na mesa, por mais que eu não goste; poderia ir na casa de fulano ajuda-lo em matemática, que está fraco – de forma subjetiva. Educar é ensinar a ser subjetivo na estrada da objetividade da natureza humana. Esta é a riqueza da liberdade humana!
Portanto, é possível sim educar a criança na objetividade da virtude que consiste em que o educador vá iluminando o caminho do bem com os seus princípios éticos que conduzem os pupilos à verdadeira e real felicidade humana – que se experimenta vivencialmente – e fazer depois que eles vão querendo, aos poucos,  porque o querem racionalmente, O SACRIFÍCIO DA VERDADE, que os torna felizes. Permitir a subjetividade na educação é a forma mais desonesta de amar a qualquer criança e de permitir que ela viva egoisticamente. A felicidade do homem está em compartilhar e amar os demais.



2)     Instituições confessionais são as que tradicionalmente trabalham com virtudes, partindo de princípios religiosos. No caso das escolas públicas, é possível estimular um aluno a ser virtuoso sem adotar algum discurso religioso ? Qual seria o fundamento laico que justifique porque é bom ser virtuoso ?



Viver as virtudes éticas, conforme exemplificamos anteriormente, é uma questão puramente ética, não religiosa. É uma questão de realização humana. O que está em jogo é a correta educação na liberdade humana, que precisa do aprendizado das virtudes para potencializá-la. O fundamento laico nasce da ideia que a educação das virtudes é uma questão da ciência antropológica. A definição do filósofo clássico Tomás de Aquino de virtude nos elucida bem esta questão quando nos diz que virtude é uma capacidade autoadquirida e livremente desenvolvida que aperfeiçoa e facilita as potências e a ação do próprio homem. Isto é, quando se educa a criança desde os primeiros meses na virtude da temperança, por exemplo, nos seus imensos e diversos campos de atuação, você está potencializando que a criança pense mais, escolha melhor, queira o que mais lhe convém como pessoa humana, consiga uma capacidade de amar os demais, renuncie sem traumas a todo o impulso irracional de prazer – qualidades que não adquirirá facilmente se não for estimulada pelos educadores - de forma que aprenda a arte de viver feliz, como deseja qualquer pai de seu filho. As entidades religiosas costumam educar nas virtudes éticas porque sabem que elas são o fundamento para uma futura e correta vida religiosa e para a vivência das virtudes sobrenaturais, dados por Deus, assim como a filosofia é a base da teologia.



3)     É possível criar “novas virtudes” ? Porque as virtudes são aquelas sempre citadas (honestidade, fraternidade, etc) e não outras?



 Já se estuda o ser humana faz mais de 25 séculos  - desde os clássicos gregos – e acredito, portanto, que depois de tantos anos, seja difícil descobrir uma nova virtude.  A pessoa humana já foi suficientemente mapeada para se entender como ela deverá se comportar se deseja alcançar a perfeição a que se destina.
O que sim se precisa ir descobrindo cada vez com mais profundidade é como formar melhor a criança na prática dessas virtudes de forma que ela interiorize esses ensinamentos de forma mais conatural e depois queira aplicar esses conhecimentos gerais ao seu caso concreto, usando bem de sua razão prática (prudência).
Apoiado na minha própria experiência pessoal do momento, enxergo a necessidade de voltar a formar muito bem os pais e professores, de maneira que não só entendam a importância desse aprendizado na realização educacional e existencial da criança, mas que se decidam a falar a mesma linguagem ética, com o exemplo e com a palavra, numa autêntica aliança educativa.
Em seguida, cada vez mais deverá ser privilegiado na escola uma educação personalizada, buscando estratégias educativas que ajudem a acompanhar cada criança no seu desenvolvimento único e irrepetível, não só acadêmico, mas também ético, enxergando nessa relação aprendizado escolar-aprendizado ético o fundamento da realização humana. Uma dessas estratégias de educação personalizada que produz profundos resultados na interiorização dos valores e virtudes na criança é a preceptoria periódica com um preceptor um pouco mais velho, experiente, amigo e com autêntica autoridade moral.
Agindo desta forma, conseguiremos cada vez mais que muitos jovens se encantem com a vivência das virtudes éticas, percebendo que a sua vida será uma constante produção de beleza, pelas suas atitudes e trabalhos, que encantarão também todas as pessoas que conviverão com ela.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

JMJ Cumprimento do Papa

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Curso de Ética e Competências na UERJ


Curso de Ética e Fomação de Competências

 
Curso gratuito oferecido pela Faculdade de Engenharia da UERJ de maio a julho de 2013
Horário: Quartas-feiras, das 14 às 16h, na Faculdade de Engenharia da UERJ (5o. andar). Sala de aula: 5001 F/C (5o. andar, bloco F, sala 5001, sub-sala C)
Público alvo: estudantes de graduação e pós-graduação.
Serão emitidos certificados pela UERJ aos alunos que tiverem a frequência mínima de 75%.

Período de Inscrição (online) de 29/04/2012 a 07/05/2012.


Início das aulas em 08/05/2013
Objetivos
Desenvolver a capacidade de agir eticamente na atuação profissional, oferecendo parâmetros de conduta adequados para situações comuns de tomada de decisão ética, a partir da reflexão sobre a natureza humana, seus valores e princípios.
Conteúdo Programático             
1) O resgate das virtudes na formação pessoal e profissional

2) O papel das virtudes éticas na maturidade profissional 

3) A Inteligência Emocional

4) A verdadeira liberdade humana

5) A motivação correta e completa

6) A amizade e o relacionamento interpessoal

7) Os temperamentos e gestão de pessoas

8) A administração do tempo: como usar uma agenda

9) A dignidade humana

10) A felicidade humana

10) Avaliação
Metodologia
As reuniões serão na forma de oficinas, envolvendo múltiplas ferramentas pedagógicas: aulas expositivas, apresentações em Powerpoint, debates, apresentação de filmes, estudo de casos e elaboração de relatórios.
Cronograma das aulas
Serão realizadas nas quartas-feiras, das 14:00 às 16:00h, de 08/05/2013 a 10/07/2013







quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entrevista sobre Motivação e Ética no Instituto Militar de Engenharia (IME-RIO), em março 2012


Primeira parte (12  min)



Segunda parte (12 min)